Filipe Frossard Papini
@BrasiLyonnais /
@FilipeDidi
Sang et Or tiveram somente uma oportunidade no primeiro tempo e marcaram para garantir a primeira vitória na Ligue1. OL tentou o jogo inteiro, em vão
A fase para o Lyon não era das melhores na manhã deste domingo. O time não teve uma semana boa. Perdeu para o Toulouse na última rodada do Francesão e sofreu uma derrota em casa para o modesto Astra, da Romênia, pela Liga Europa e pode dar adeus a competição antes mesmo da fase de grupos se iniciar. Contudo, a situação do outro lado do campo também não era das melhores. O Lens, adversário do OL nessa terceira rodada, começou a Ligue1 com o pé esquerdo. O clube, recém promovido da segunda divisão, chega ao terceiro jogo do campeonato sem ter somado qualquer ponto ainda, vindo de derrota para dois outros potenciais clubes que lutarão contra o rebaixamento. Por isso, o jogo já tinha proporções interessantes, mesmo sendo início do torneio ainda.
Lotado de desfalques e quase com um time inteiro de titulares fora da partida, Hubert Fournier armou o time do Lyon no 4-4-2 e colocou em campo suas melhores armas disponíveis para a partida. Tolisso, que até a última partida estava sendo improvisado na lateral esquerda, acabou ganhando vaga no meio de campo com a suspensão de Ferri. Quem ocupou o lado esquerdo do campo acabou sendo Mouhamadou Dabo, que retornava de lesão e fazia sua primeira partida na temporada. Detalhe interessante a ser observado é que o Lyon não tinha nenhum zagueiro e qualquer volante no banco de reservas. O único jogador defensivo entre os suplentes era o jovem lateral direito Mehdi Zeffane. Confira abaixo como ficou a escalação inicial do OL para o jogo:

Ao contrário do Lyon, o Lens tinha quase todo o seu time a disposição do técnico Antoine Kombouaré. Os únicos desfalques eram o defensor Yahia e o meia Jadeyaoui. E mesmo com a ausência de Yahia, o ponto forte do time Sang et Or era a defesa muito bem armada, que mesclava a experiência de Baal e Kantari, com a juventude de G’Bamin e Landre. Além disso, ainda tinha no gol Rudy Riou, o mais experiente dos jogadores do time, com passagens por Monpellier, Toulouse, Marseille e Nantes, por exemplo. Outro destaque do time Lensois era Pierrick Valdivia. O meia canhoto é cria da base do Lyon, foi dispensado quando ainda era do Lyon B e atuava na lateral esquerda. Hoje, ele era titular contra o seu ex-clube. Abaixo, confira a formação inicial do RCL:

O OL tinha a torcida a seu favor. Mesmo depois de dois reveses, o Stade Gerland recebia uma boa quantidade de pessoas. E nos primeiros dez minutos de jogo, o time agradava. O Lyon chegou duas vezes com muito perigo. A primeira, foi aos 3’. Dabo avançou pela esquerda, encontrou Lacazette e conseguiu tabelar com o atacante do OL. Quando recebeu a bola novamente, estava um pouco sem ângulo e finalizou mal. Aos 7’, foi a vez de Yattara chegar com muito perigo. Em bate-rebate na área, o camisa 19 recebeu de costas para o gol, girou sobre o defensor adversário e bateu forte, forçando uma defesa de Riou no reflexo.
O balde de água fria no bom começo do Lyon veio logo aos 11’. Enquanto o time tocava bola pacientemente no meio de campo, Coulibaly roubou e armou um contra-ataque para o Lens. Em alta velocidade, passou para Touzghar pela esquerda. Jallet tentou acompanhar o atacante e não conseguiu. Quando ele entrou na área, fez a assistência para Nomenjanahary. Koné ainda tentou fazer o corte, mas foi todo atabalhoado no lance e acabou ajudando o atleta madagascarense a abrir o placar. 1 a 0!
Mesmo em desvantagem no marcador, o OL não deixava de ser a melhor equipe dentro de campo. Detinha a maior posse de bola, tocava com calma no seu campo de ataque, achava espaços, mas faltava criação... Aquele último passe. E isso não acontecia nem nas jogadas pelo lado do campo e nem pelo meio. E o ímpeto ofensivo na tentativa de igualar o placar acabava deixando a defesa desguarnecida, pronta para sofrer mais um contra-golpe, como foi no primeiro gol.
Na mesma toada, o Lyon insistia até onde podia. Lacazette se esforçava, buscando a bola fora da área e tentando construir jogadas para o time. Fazia o papel de meia, de falso nove, de centroavante e não dava certo. Não tinha ninguém para encostar ou para fazer uma tabela. Yattara, muito isolado na frente e bem marcado pela defesa do Lens, não conseguia segurar nenhuma bola e foi atrapalhado em quase todas as oportunidades que teve de criar bons lances de perigo.
Até o fim do primeiro tempo, o cenário dentro de campo se manteve o mesmo: o OL somava mais posse de bola (terminou a primeira etapa com 56%), conseguia mais espaços dentro de campo, mas tinha enormes dificuldades em converter isso para chances reais de gol. A bola ficava sendo cozinhada no meio de campo e não passava dali. Méritos também para a defesa do Lens, que estava muito bem postada e quase não dava espaços para os homens de frente do Lyon trabalharem. O primeiro tempo terminou com o Lens no placar, marcando na única oportunidade que tiveram.
No segundo tempo, antes mesmo dos primeiros dez minutos, o Lens teve a oportunidade de ouro para ampliar o marcador. Mas uma vez a bola estava nos pés de Nomenjanahary. O atacante recebeu bola em profundidade e saiu frente a frente com Anthony Lopes. O autor do primeiro gol conseguiu passar pelo goleiro do Lyon, mas ao invés de completar para o gol, preferiu forjar uma marcação de pênalti. O árbitro Lionel Jaffredo, bem colocado, marcou falta para o OL e amarelou Nomenjanahary por simulação.
Após a chance de gol do Lens, Fournier fez sua primeira alteração no jogo. Colocou Clinton N’Jie no lugar de Lindsay Rose. Gonalons foi pra zaga e o OL jogava no 4-3-3 neste momento. A curto prazo, a substituição fez efeito contrário. O Lens melhorou no jogo e teve três enormes oportunidades para marcar. A primeira foi em uma arrancada de Coulibaly de trás do meio campo, com direito a caneta em Gonalons. Na área, tocou para Touzghar fazer, ele tentou colocar no canto e Anto Lopes defendeu. Depois, foi a vez de Cyprien bater falta perigosa, com força e curva, a bola explodiu no travessão. Por fim, Nomenjanahary avançou pela esquerda em velocidade e entregou para Touzghar. Debaixo da trave, o atacante do Lens mandou por cima do gol.
Sem poder de reação, e assistindo o Lens jogar, o Lyon buscava avançar suas linhas e compactar mais o time. Mas nada era muito eficaz. Fournier então mexeu pela segunda vez. Mohamed Yattara, que parecia sentir algum desconforto muscular, deixou o campo e deu lugar a Yassine Benzia. Taticamente, o OL não tinha nenhuma mudança na sua formação com essa troca.
Enquanto Kombouaré preparava sua primeira alteração, colocando Baptiste Guillaume no lugar de Yoann Touzghar, o Lyon criava sua primeira grande oportunidade no segundo tempo, aos 22’. Jogada de Clinton N’Jie pela esquerda. Ele cruzou pra área e a bola passou pelos pés de Benzia e Malbraque até chegar a Lacazette, que bateu quando teve espaço. De voleio, acabou mandando a bola com muito perigo, a esquerda do gol de Rudy Riou. Pouco tempo após o lance, o OL fazia sua última alteração. Dabo, que voltava de lesão neste jogo, cansou e precisou dar lugar a Mehdi Zeffane. No Lens, Bourigeaud entrava no lugar de Nomenjanahary.
Naquele momento, dentro de campo, o Lyon tinha três laterais direito: Zeffane (jogando de lateral esquerdo), Tolisso (no meio de campo) e Jallet (fazendo sua função de origem). E, por incrível que pareça, foi a melhor formação do OL na partida. Apertava o Lens com perigo e criava espaços com a movimentação de Lacazette, N’Jie e Benzia dentro da área. E foi assim que o OL colocou uma bola na trave. Jallet criou oportunidade e passou para Lacazette. Ele segurou, prendeu e esperou Malbranque passar em profundidade. Quando o meia recebeu, bateu pro gol meio sem ângulo e acertou a trave esquerda de Riou.
Kombouaré fez sua última troca, colocando Cavaré no lugar de Cyprien. Ele colocava um defensor e tirava um volante. A ideia era recuar mesmo. E acabou dando mais espaço para o Lyon. Em chance bem parecida com a de Malbranque – mas com menor velocidade – N’Jie entrou dentro da área pela esquerda e, também sem ângulo, resolveu bater pro gol e forçou boa defesa de Riou, que já vinha se tornando um dos principais nomes da partida.
Nos últimos minutos, quando o Lyon tinha a oportunidade de fazer aquele tradicional abafa e levantar bola na área para os três atacantes que estavam lá, não conseguiu. O Lens dava espaço, mas o OL não tinha mais forças para esboçar reação. O jogo seguiu morno nos últimos minutos + tempo de acréscimos. A oportunidade que o time tinha de empatar, acabou dando os primeiros três pontos para o Lens na temporada.
Agora o foco é se concentrar para evitar um vexame na Liga Europa. O OL vai até a Romênia enfrentar o Astra no jogo de volta da Liga Europa. E a missão é dura, o time de Fournier precisa fazer, pelo menos, 2 a 0 para se classificar diretamente. O jogo será às 15h45, no horário de Brasília, quinta-feira, dia 28. Até lá!
FOTOS: olweb.fr / L'Equipe
GOL DA PARTIDA:
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