quinta-feira, 31 de março de 2011

Michel Bastos quer voltar à Seleção: 'Esqueçam o que aconteceu na Copa'

Filipe Frossard Papini


O jogador, que se recupera de lesão, fala sobre a desclassificação na Copa do Mundo e diz que não sabe o que deu errado com o time de Dunga


Oito vitórias, um empate e uma derrota. Aproveitamento incontestável, certo? Errado. Este é o desempenho de Michel Bastos pela Seleção Brasileira, inclusive como titular na Copa de Mundo de 2010. No entanto, após a era Dunga, o jogador de 27 anos não foi mais convocado e não esconde a vontade de voltar a jogar com a camisa amarela, fato que não acontece desde a eliminação para a Holanda, nas quartas de final.

Em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, enquanto se recupera de um lesão no menisco lateral, no Centro de Reabilitação do Atlético-PR, ele comentou sobre as atuações pelo Brasil e ainda revelou que jogou em uma posição no time de Dunga na qual não jogava há cinco anos. Michel Bastos também falou sobre jogar na França, a campanha de seu atual time, o Lyon-FRA, e os boatos sobre uma possível saída no fim do ano.
O tratamento do jogador dura até o dia 20 de abril, quando volta para a França.

Depois do Atlético-PR e antes do Lyon, você defendeu o Lille, da França. Como foi a sua passagem por lá? Você achou boa ou preferia ter ido para um time maior na época?

Na época, o Lille foi muito importante na minha vida, até porque, quando eu cheguei lá, ele estava disputando a Champions League. Eu estava também com uma contusão de menisco, a mesma que tenho hoje. O clube acabou me contratando machucado. Durante três anos, era considerado o melhor jogador no país. Tive a oportunidade de ir para o Lyon. Então, muita gente falou, especulou o por que eu saí daqui (Atlético-PR) e fui para o Lille, que não era muito conhecido. Hoje eu falo que foi uma das melhores coisas que fiz. A minha ida para lá me ajudou muito.

Depois, você foi para o Lyon, que foi heptacampeão. O time acabou caindo de rendimento. Na atual temporada, está em quarto no Francês. A que se deve essa queda?

Você ganhar sete anos seguidos, não sei se vai ter outro clube no mundo que vai fazer a mesma coisa. Você não pode sempre ganhar. Este ano, tiveram boas contratações. No papel, a equipe do Lyon é a melhor, disparada. Mas o negócio é dentro de campo. A gente começou a temporada de forma que a gente não esperava, com um ritmo meio baixo. Acabou subindo de produção, mas fica difícil até porque o Lille, que está em primeiro, desde o começo está em alta. A gente depende de uma queda deles. A temporada em si não é da forma que a gente esperava, mas tem muita coisa positiva.

Quanto tempo você vai ficar de fora? E como é desfalcar o Lyon nessa reta final do Campeonato Francês?

Até o final do mês de abril, eu estou voltando para a França para jogar já. É difícil. Até porque esse período de final de temporada é importante para o clube, é importante para mim. Então, ficar cinco semanas fora numa reta final de campeonato, num momento em que o clube precisa de mim é complicado, mas faz parte do trabalho. Eu tenho que voltar forte, porque eles precisam de mim e vão faltar ainda cinco jogos lá.

Teu nome foi cogitado como um possível reforço do Manhester United e outros grandes da Europa. Você pensa em sair do Lyon e ir para um time maior, da Inglaterra, Itália ou Espanha?

Graças a Deus, eu estou contente de saber que grandes clubes têm a vontade de contar com o meu futebol. Você vendo que clubes grandes como Manchester United, Juventus, Inter de Milão têm a vontade de contar com você é bastante importante. Hoje eu tenho dois anos de contrato ainda. Então, quer dizer, a gente sempre tem a intenção de progredir, de jogar em grandes clubes. Pelo momento, a gente vê que o Lyon não tem a intenção de deixar a gente ir embora. Mas eles sabem que, se for uma coisa muito boa para mim e para o clube, tenho certeza que eles não vão fechar a porta. A princípio, a gente está vendo que tem a oportunidade de talvez sair no final do ano, mas não tem nada certo ainda.

Como você avalia a tua passagem pela Seleção?

Foi boa. Até porque, em dez jogos como titular, só uma derrota. Lógico que, na Copa do Mundo, todo mundo falou que eu poderia ousar mais, que eu fiquei muito na defesa. Eu acho que, querendo ou não, eu fiz a minha parte. Você chegar numa Copa do Mundo jogando numa posição que há mais de cinco anos não jogava não é nada fácil. Críticas sempre vão ter dentro do futebol. Eu fiquei satisfeito com meu rendimento na Seleção. Quando você chega à Seleção Brasileira, sempre quer mais. E eu quero mais. Vou trabalhar para que um dia eu possa voltar.

Se isso acontecer, vai ser como meia ou lateral?

Usar a camisa da Seleção Brasileira, a gente usa jogando em qualquer posição. Mas eu gostaria de voltar jogando na minha posição, que é no meio-campo.

Por que o Brasil não ganhou a Copa? Você acha que o grupo era fraco?

Hoje em dia, todo mundo quer respostas, quer saber por que, mas é o futebol. A gente estava numa competição em que, com o mínimo de erro, você pode deixar tudo escapar - e foi o que aconteceu. Acho que, se a gente tivesse ganhado a Copa do Mundo, com certeza o grupo era forte, o grupo era isso, era aquilo.
Como não ganhou, todo mundo quer saber por que, onde era o erro. A resposta hoje eu não tenho. O grupo era forte, era unido pra caramba. São coisas do futebol. Não era para ser e acabou que a gente perdeu aquele jogo, que nos penalizou pela boa Copa do Mundo que a gente vinha fazendo.

E numa última mensagem, o que você diria para os torcedores brasileiros?

Que esqueçam o que aconteceu na Copa do Mundo. Acho que o povo brasileiro, como eu e como todo mundo, ficou triste por aquilo. Hoje, a Seleção está com novas caras, com outros jogadores de qualidade. Acho que a Seleção tem um futuro muito grande com jogadores que tem aí. A mensagem que eu mando é que, se um dia eu voltar, podem ter certeza eu vou tentar dar alegria que todo mundo quer da Seleção Brasileira.


Michel Bastos: 'Se o Atlético-PR abrir as portas, voltaria com o maior prazer'

Michel Bastos está em alta na Europa. Titular do Lyon-FRA, ele foi cogitado como possível reforço de outros gigantes, como Manchester United-ING, Juventus-ITA e Inter de Milão-ITA. A volta para um clube brasileiro hoje está descartada. Para o futuro, porém, um time sai em vantagem numa disputa pelo jogador: o Atlético-PR.

O lateral-esquerdo de origem, que migrou para o meio-campo há mais de cinco anos, se recupera de lesão no menisco lateral, no CeCaP (Centro de Reabilitação do Atlético Paranaense). O atleta de 27 anos teve duas passagens pelo Rubro-Negro. Na primeira, em 2003, foram 14 jogos. Depois, em 2006, mais 11 partidas. No total, foram dez vitórias, cinco empates e dez derrotas.
- É um clube pelo qual tive duas passagens e não tive a oportunidade de talvez render da forma que eu gostaria.

Na época, o jogador teria se envolvido em uma confusão com Mário Celso Petraglia, então presidente do clube. O motivo seria a dificuldade na negociação com o Lille-FRA, time para o qual Michel Bastos foi em 2006. O lateral-meia, que tem contrato com o Lyon por mais dois anos, não deu um prazo para voltar a atuar no Brasil. Confira a segunda parte da entrevista exclusiva que o jogador concedeu ao Globoesporte.com, na terça-feira:

Como é voltar para o Atlético, para fazer tratamento, depois de sair brigado com o presidente da época?

Independente do que aconteceu quando saí, de algumas discussões, eu sempre falei que o Atlético foi muito importante na minha vida, até porque os problemas difíceis que passei, na minha primeira passagem em 2001 e 2002 e depois em 2005, sempre tiveram comigo. Poder estar aqui de novo, usufruindo da estrutura que o clube tem, é importante.

Você pretende voltar para o Atlético? Se fosse para voltar para um time do Brasil, daqui a alguns anos, seria o Atlético, ou talvez Figueirense, Grêmio ou outro?

A gente tem a intenção de voltar. Com certeza eu gostaria muito de voltar ao Atlético, até porque é um grande clube. É um clube pelo qual tive duas passagens e não tive a oportunidade de talvez render da forma que eu gostaria. Desde que eu cheguei aqui para fazer tratamento, eu falei que, se um dia eu tivesse uma oportunidade, voltaria, até porque hoje eu vivo em Curitiba, minha esposa é daqui. Então, se o Atlético, daqui um tempo, abrir as portas para eu voltar, eu voltaria com o maior prazer.

FONTE: Globoesporte.com
FOTOS: Globoesporte.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário